quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ARQUEÓLOGO POR UM DIA - NO MUSEU ARQUEOLÓGICO MUNICIPAL JOSÉ MONTEIRO

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O último dia do mês de outubro representou, para os alunos do 4.º ano, um mergulho na história do qual, todos o desejamos, eles jamais se irão esquecer.
Se, na parte da manhã, cirandaram por terras do xisto, onde puderam comprovar, in loco, o testemunho de gravuras rupestres, a tarde foi dedicada ao Museu Arqueológico José Monteiro, onde está alojada uma preciosa fonte documental que os habitantes da região teimam em não dar o devido valor. Infelizmente.
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Sempre conduzidos pelo Pedro Silveira, um exemplar profissional que leva a sua função a peito, fomos recebidos no Museu pela Marina, nossa cicerone na visita ao precioso espólio: artefactos, recolhidos na região, que cobrem o Paleolítico (pedra lascada, nomadismo), Neolítico (pedra polida, sedentarismo), Idade dos Metais (cobre, bronze e ferro) e, sobretudo, uma grande quantidade de artefactos da presença romana no nosso território. Mas não só.
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A visita, bem conduzida, prendia a atenção dos alunos. Alguns, contudo, quase pareciam não ouvir, tal era o fascínio pelo observar das peças. Ali, na observação direta, as aulas teóricas começavam a ganhar contornos, a imaginação disparava para cenários próprios de cada um...
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Alguns termos técnicos iam surgindo, com a necessária explicação. E aos ouvidos iam ecoando as sílabas, bem entoadas, de palavras como artefacto, estela, fíbula, ara votiva, antromorfo, zoomorfo, "frigorífico dos romanos", epigrafia...

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A atenção estava tão presente que, por vezes, quase se confundia com alheamento. Mas não. Eles, num processo muito próprio, interiorizavam enquanto projetavam, em simultâneo, cenários interiores, qual tentativa de construção dum enorme puzzle.
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No final da visita, já no auditório, fez-se presente o Diretor do Museu, Pedro Salvado, que pugnou, socorrendo-se de palavras quentes e acolhedoras, pela sua dama: a arqueologia. Mas eles quase não precisavam disso, pois quando se sentaram nas cadeiras já estavam conquistados. Da preleção, contudo, resultou um desafio deveras importante: os alunos participarem, ainda este ano letivo, em escavações aqueológicas durante um dia. Aí, sim, seria o corolário da atividade "Arqueólogo por um dia".
Escusado será dizer que, por aclamação, todos os alunos aceitaram o desafio, a concretizar, muito provavelmente, na próxima primavera.
Foi bom andar por ali, foi bom sentir que há gente que pugna, dignamente, pelo cultivo da memória colectiva, fundamental para uma boa programação do futuro.
Entretanto, de que está à espera? Pegue nos seus filhos e vá até ao Museu Arqueológico. Vai ver que vale mesmo a pena.
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