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terça-feira, 9 de outubro de 2018

QUOTIDIANO

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Os dias continuam solarengos. A miudagem, grata pela bênção, liberta energias após o trabalho árduo da sala de aula, aproveitando o recreio como se não houvesse amanhã, destilando risos, corridas e jogos de faz de conta...
A escola, numa conjugação feliz de trabalho e alegria, vai bem e recomenda-se.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O PRIMEIRO DIA DE AULAS

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Primeiro dia de aulas. As mochilas vinham carregadas, mas os pequenotes nem notavam. Era como se transportassem, na imensidão de materiais e manuais, toda a vontade do mundo em crescer, crescer cada vez mais, como se essa vontade fosse imune ao limite.
Para muitos era o renovar dos laços, para os mais novos era a primeira vez. Mas todos chegaram, festejaram, brincaram. Amanhã, sempre com a mesma vontade, logo se verá, que os desafios vão surgir em catadupa, à medida de cada um.
A forma como as crianças sentem a vida, tão genuína, nunca deixará de nos surpreender. É como se tivéssemos, por mais que o tempo passe, uma eterna oportunidade de recomeçar.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

SABES, HOJE EU FAÇO ANOS

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O primeiro contacto com a escola, para uma criança de 6 anos, é sempre marcante. 
O dia até nem era de aulas, era um mero esboço de intenções daquilo que se pretendia para o ano escolar, com uma conversa mais séria com os pais, mas para uma criança desta idade as coisas não são assim tão simples. Para ela a escola parece enorme, para lá do real tamanho, e nela projeta expetativas e ansiedades em que os protagonistas, para além da sua pessoa, são esboços intermitentes de maior ou menor dimensão, de acordo com a forma como se consegue inserir, rodeada de milhentos rostos.
A reunião, em primeira instância, foi dedicada aos progenitores, enquanto as pequenas avezinhas, ainda a dar-se conta das primeiras penas, eram encaminhadas, por mão responsável, a conhecer os cantos à casa, com direito a bónus: o contacto com a nossa cadelinha, a afetuosa Taiti.
Às tantas, esclarecidos os pais, chegou a vez dos alunos entrarem na sala, sem qualquer âncora paternalista: eram apenas eles e o professor, que pretendia estender as primeiras linhas para, em conjunto, tecerem, no futuro, uma verdadeira teia de cumplicidades. 
Eles iam-se acomodando nas cadeiras, com um ou outro a ousar um dito engraçado, enquanto o professor procurava criar o clima adequado. Estava-se nisto quando, às tantas, um pequenote (era o Salvador Pereira) se abeira do professor e, com o ar mais sério do mundo, anuncia:
- Sabes, hoje eu faço anos.
Caramba, Salvador, saibamos nós dar importância a esse e a outros sentires. Parabéns, amigo!
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terça-feira, 3 de julho de 2018

A SAÍDA DO NINHO

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Um dia, já lá vão quatro anos, quatro mãos cheias de pequenotes bateram à porta. Traziam desenhado, nos gestos, um misto de curiosidade e receio, mas com uma luz inconfundível a adornar-lhes o olhar. Às costas traziam uma mochila imensa, repleta de livros e apetrechos, mas eles nem lhe sentiam o peso. Queriam, qual vontade indómita, aprender a ler, queriam descodificar o mundo, queriam crescer...
Muito se passou, entretanto, muitas aventuras se viveram. E, quase sem se darem conta, cresceram braços e pernas, dilatou-se o conhecimento do mundo, começou a germinar a autonomia. E sempre, mas sempre, bordada por uma enorme curiosidade, temperada pelas brincadeiras sem fim do recreio.
O tempo passou, pleno de exigências e afetos, e as asas foram-se insinuando, cada vez maiores, ávidas de sobrevoar fronteiras, sejam elas quais forem. Ainda há receios, pois é claro, mas transportam consigo uma luz única, primordial, própria de todos os aprendizes: querem compreender, querem abraçar, querem conquistar.
O caminho será longo, pleno de pedras e pedrinhas, aqui e ali algum calhau, quiçá um pedregulho. Mas, se se recordarem da orientação do voo, chegarão, com maior ou menor dificuldade, sempre a bom porto.
Ao ver-vos partir, há uma parte de nós que se angustia, qual pai que vê partir um filho para lá da segurança do ninho. Mas há outra, sempre presente, que se orgulha do trabalho feito, que sente, na plenitude, a vossa vontade de vencer.
Que o vosso voo abrace a plenitude, minhas eternas avezinhas!
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

O ILUSIONISTA QUE ACREDITA NA REDENÇÃO

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Tem uma vida como muitos de nós, sujeita a horários, que procura exercer da melhor forma. Mas, para ele, não basta. Acredita na dádiva, na partilha, condição fundamental para que o mundo em que vivemos seja cada vez melhor. Chama-se Joaquim Barata e, nos seus tempos livres, gosta de se dedicar ao ilusionismo. Vai a escolas, hospitais, associações, a qualquer lado onde sente que pode acrescentar algo, onde pode levar algum brilho. Chama-se Joaquim Barata e, através do casal António e Manuela Fernandes, seus amigos de longa data e adeptos da mesma filosofia de vida, chegou até nós.
Hoje, após o almoço, o Pavilhão da ADCRAJ serviu de cenário para o encontro entre Joaquim Barata e os nossos alunos. Bom comunicador, depressa conquistou a plateia. E foi vê-lo encantar, número após número, enquanto ia passando a mensagem, nas entrelinhas, da sua forma de estar, da sua forma de encarar a vida: a necessidade de nos envolvermos, a importância de partilharmos.
Há pessoas assim, assumidas, para quem não basta acreditar: é preciso agir.
Obrigado pelo momento e pelo testemunho, Chefe Barata!
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sexta-feira, 4 de maio de 2018

ESCOLA DE ALDEIA DE JOANES: UMA IDEIA, UM RUMO...

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O percurso da escola vai-se mantendo, fiel às convicções dos seus profissionais, muito para lá da efemeridade de certos conceitos.
Dê as voltas que o mundo der, influenciado por cíclicas modas, há uma coisa em que nós acreditamos, e daí não arredamos pé: a importância do trabalho, puro e duro. Claro que é preciso motivar - e nós motivamos - claro que, em determinados contextos, é preciso brincar - e nós brincamos - claro que é necessário concretizar - e nós concretizamos - mas, num mundo com poucas certezas, de uma coisa estamos convictos: para se progredir, como pessoa, é preciso saber enfrentar as contrariedades, incutir determinação, ajudar a descobrir a recompensa pós-esforço, cultivar um são ambiente, lançar sementes para um mundo melhor... É esse o tipo de educação em que acreditamos e, sem trabalho, quase sempre anónimo, numa desejável cumplicidade entre os diversos atores da escola, não se vai lá.
Os anos passam, os alunos vão crescendo, de vez em quando é preciso reformular, mas a trave mestra da filosofia da escola mantém-se: trabalho, muito trabalho, sempre com os afetos a tiracolo. Eles são primordiais para que se conjugue, da melhor forma, a harmonia das coisas. Por mais translações que se registem no calendário, estamos convencidos que é este o caminho.
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quinta-feira, 12 de abril de 2018

TEATRO ESTE - VER PARA BEM FAZER

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Há um mundo em constante mutação, de subtilezas várias, em que o mero cidadão se sente num labirinto. Há uma vontade de comunicar, de intervir, de interagir. Há o ver e o fazer.
Partindo do princípio de que não somos compartimentos estanques, e que a interação dá a conhecer diversas formas de ver e de sentir, o grupo ESTE está a desenvolver, no presente ano letivo, um projeto que designou de "VER-FAZER", procurando que a sua relação com o público mais jovem vá para lá da simples fruição. É preciso descobrir, emitir opinião, é necessário envolvermo-nos naquilo a que designamos por vida...
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Esta semana as quatro turmas da nossa escola estiveram na Moagem, onde se depararam com o produto final daquilo que o Tiago Poiares e o Roberto Querido, durante alguns meses, andaram a "ouvir" nas suas andanças pelas escolas, e a que, posteriormente, deram vida. 
Qualidade, rigor e talento em prol da mensagem, reforçada na conversa final, impregnada de pedagogia, que os dois atores tiveram com o seu público.
Ver para bem fazer, fazer bem para bem ver.
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terça-feira, 13 de março de 2018

A BREVE, MAS SORRIDENTE, PAUSA DA CHUVA

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Tem chovido, chovido muito, recompondo o equilíbrio natural das coisas, mas... condicionando as brincadeiras no recreio. Os alunos sabem, pelas conversas que ouvem, que a chuva faz muita falta, mas as saudades das brincadeiras livres, como se fossem donos do mundo,  começavam a insinuar-se.
Hoje a chuva, cúmplice, resolveu conceder uma pausa. E logo eles, gratos, aproveitaram  para inventar brincadeiras, para expandir energias, espalhando sorrisos como só as crianças sabem.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O REENCONTRO

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Gozaram um merecido descanso, em período bem festivo, mas aí estão eles. Entusiastas, com um brilho nos olhos como só as crianças podem ter, deram de caras com os amigos, em  reencontro efusivo, enquanto iam debitando novidades. Tinham muito que contar, ó se tinham, e não se fizeram rogados.
Estão de volta, os nossos alunos. À sua espera está o senhor trabalho, mas isso não os assusta, antes pelo contrário. Aprender é isso mesmo: trabalhar, afincadamente, mas com espaço para o sorriso. Só assim as coisas fazem sentido.
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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O RECREIO DOS PEQUENOS LAGOS

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Nos últimos tempos, com o país a passar por uma seca extrema, muitos olhos preocupados se têm virado para o céu em busca de sinais de chuva, bênção natural para a desejável harmonia do ciclo das estações.
Embora ainda muito longe do desejável, ontem e hoje choveu qualquer coisita, pondo a descoberto um velho problema no recinto do nosso recreio: a formação de pequenos lagos junto à entrada, com o natural transtorno para quem quer entrar ou sair, obrigando, na maior parte das vezes, a autênticos exercícios de malabarismo pedonal. E ainda não choveu a sério!
A Câmara Municipal, na pessoa da sra. Vereadora da Educação, já prometeu que, no final do ano, irá resolver o problema, dando uma volta completa ao recinto, de modo a torná-lo mais atraente e funcional. Como ela, connosco, costuma honrar a sua palavra, acreditamos que sim.
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

AFETOS

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Decorria o magusto. A animação era muita, de interesses vários, com cada um a soltar-se em brincadeiras de que só as crianças sabem o segredo.
Às tantas reparo na Joana a deslocar-se, lentamente, por entre os colegas, olhando em todas as direções. Que procuraria ela? De repente para, as feições soltam-se, os olhos brilham: tinha, finalmente, encontrado a irmã mais nova, a Margarida, que frequenta o Jardim de Infância. O abraço que dão não passa despercebido ao fotógrafo, que pergunta se pode tirar uma fotografia. Obtida a anuência, e quando se prepara para carregar no botão, ouve-se uma voz, plena de urgência:
- Eu também quero!
Era a Sofia, a irmã do meio, vinda não se sabe de onde, que corria para se abraçar às irmãs.
Afetos, o verdadeiro tempero da vida...
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UM HOMEM DE RESPEITO

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Figura incontornável desta terra de há muitos anos a esta parte, o Sr. António - como o trato e sempre tratarei, com profundo respeito - apareceu hoje no magusto. Não foi por acaso. O Sr. António sempre pugnou pela sua terra, pelas suas gentes, de há muito percebeu que uma escola não é nada se não for ao encontro da população, se não perceber o local onde está inserida. E, fiel à sua convicção, foi sempre pródigo em todo o tipo de apoios.
Há poucos dias apareceu na escola, a despedir-se, pois iria deixar a menina dos seus olhos, a vivência autárquica, agradecendo aos professores desta escola tudo quanto têm feito pela educação nesta terra. Um abraço pleno de afeto selou o encontro. 
Hoje, no magusto, surpreendeu quando apareceu. Ao chegar-se junto das pessoas via-se que, apesar da saúde já não ser aquilo que era, os seus olhos ainda brilhavam, que a vontade de ser, estar e fazer continuava muito presente. E cumprimentou, olhou, animou, falou...
O Sr. António, dê as voltas que a vida der, continua a ser fiel à sua camisola. Precisamos de mais homens como ele.
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Agostinho Craveiro
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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

OUTONO DO NOSSO (DES)CONTENTAMENTO

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Fotografia de AC
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Há um sol, ao de leve, que nos aquece de mansinho, como se tentasse perpetuar aquilo que é breve, alquimia de poeta que tudo quer abraçar.
Rompe a névoa, aqui e ali, pintalgando conceitos efémeros, como se tudo fosse nada. Foram-se as andorinhas, rendidas ao capricho solar, enquanto os gatos, alheios ao passar do tempo, se espreguiçam, indolentemente, como se a tela da vida fosse coisa perfeitamente definida.
Há um sol, ao de leve, que nos aquece de mansinho, alheio a tragédias pirómanas que grassam por este pobre e indefeso país.
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AC
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

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Após um considerável período de férias, apaziguadoras, em que mente e corpo se soltaram noutras vertentes, o trabalho escolar, a fim de ser devidamente planificado, requer sempre uma avaliação diagnóstica dos conteúdos apreendidos anteriormente nas diversas áreas. Foi o que se fez nos primeiros dias, em todas as turmas. Agora, feita a aferição, os novos conteúdos começam a surgir, paulatinamente, ao mesmo tempo que se dá cobro às lacunas detetadas.
A viagem está a começar, mais uma, em desejado contínuo crescimento para os alunos, sob o olhar atento de professores e famílias. Os astros, tudo o indica, parecem conjugar-se sob bons auspícios. Da nossa parte, garantidamente, tudo iremos fazer para que assim seja.
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O REGRESSO

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As férias já lá vão, plenas de sol, deixando marcas de novos horizontes e novas experiências, temperadas com muita brincadeira. 
A escola, com o regresso dos alunos, voltou a animar-se, engalanando-se para os receber. E, neste primeiro dia, muitos sorrisos se soltaram, até abraços, num saciar de saudades com a intensidade de quem tem pressa de crescer. Foi bom sentir a sua energia, foi bom sentir a alegria a desenhar passos do mais apurado ballet...
Bem-vindos, amigos!
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

UM ANO ATÍPICO

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Falta apenas uma semana para o findar das aulas, num ano letivo com muitos desafios, muitos deles completamente indesejáveis. Ora vejamos.
O 1.º período pautou-se, e muito, pela crise de assistentes operacionais. Houve novos contratos (a Raquel substitui a Cristina no edifício da ADCRAJ), mas insuficientes perante a redução verificada nos horários de trabalho: de 40 passou-se para 35 horas. A medida até é justa, o que não se compreende é que, na sua aplicação, não ficassem salvaguardadas as necessidades das escolas, já que, na implementação do novo regime, o horário das assistentes nem sequer dá para cobrir o período de funcionamento da escola, quanto mais para a indispensável limpeza! Deveriam, portanto, ser criados mais postos de trabalho, o que não aconteceu, muito pelo contrário: antes, na vigência dos contratos de 40 horas, ainda havia autorização para contratar tarefeiras para ajudar na limpeza; este ano, quando esse recurso se justificava mais do que nunca, nem isso. 
Para agudizar a questão, a Teresa, infelizmente, adoeceu. Novos desafios, mais problemas para resolver. Foi cá colocado o Manuel, mas continuava por resolver o problema de o horário dos assistentes não dar para cobrir o período de funcionamento da escola. Telefonemas para aqui, conversas para ali, e a questão por resolver. Os professores, num assomo de compreensão para com as necessidades dos alunos, acederam a "vestir a pele de assistentes", indo para a escola mais cedo e saindo mais tarde. Houve mesmo dias em que não tiveram qualquer pessoal assistente ao serviço, o que, noutras paragens, talvez implicasse o encerramento da escola. Mas nós não permitimos que isso acontecesse, o bem-estar e a segurança dos alunos estava primeiro. Fomos para lá dos normativos, mas sossegámos a nossa consciência, com os deveres a sobreporem-se, claramente, aos direitos. Acrescente-se, ainda, que não deixámos cair atividades em que o papel das assistentes operacionais é fundamental: desfolhada, magusto, conserva de azeitonas e Festa de Natal, que implicavam a participação dos quase cem alunos da escola. Foi duro, oh se foi!
No início do 2.º período, já com o recurso, plenamente estabilizado, de novas assistentes, que asseguravam o período de abertura da escola até ao intervalo, a coisa melhorou. E, finalmente, os professores concentraram-se totalmente naquilo que lhes compete: as aprendizagens dos alunos. De tal forma que até deu para participarmos, de forma muito satisfatória, no evento "Poesia na Rua", onde apresentámos "Na Rua da Minha Tia", um trabalho totalmente inédito: nas palavras, na encenação, na música. Deu muito trabalho, mas o bom desempenho dos alunos foi uma enorme recompensa para nós. Diga-se, a propósito, que a Diretora do nosso Agrupamento, a Dra. Cândida Brito, nos convidou, no final do espetáculo, para estarmos presentes, com a "Rua", no Dia Aberto do Agrupamento, a efetuar no final do ano, num dia ainda por designar.
No 3.º período o trabalho nas diversas salas continuou, empenhado, com os alunos a corresponder. Nesse aspeto a aposta estava ganha. Contudo, neste último mês, novos desafios se colocaram, mas já numa perspetiva de festa, de consagração do trabalho feito. E, quando tudo parecia anunciar sorrisos, surgiram alguns esgares. Mas o melhor é contarmos.
O último dia de aulas, este ano, coincide com a noite de S. João, muito arreigada às nossas tradições. Constatado o facto, a ideia surge, com naturalidade: por que não fazer um arraial de S. João, envolvendo toda a comunidade educativa? Os alunos levariam à cena, de novo, o "Na Rua da Minha Tia" - muitos pais, por imperativos de horário de trabalho, não tiveram oportunidade de assistir à atuação na Praça do Município - e a noite, temperada com música, sardinhas assadas, febras, papas de carolo e gelatinas, seria passada em caloroso convívio, estreitando laços. Instalado o entusiasmo, começam os necessários contactos. É então, qual vento agreste, que nos chega a informação: um número considerável de alunos da escola, que frequenta a Academia de Música e Dança do Fundão, já tem concertos agendados para 23 e 24 de junho. Foi a desilusão, autêntico soco no estômago.
Nos dias que se seguiram, em vez de lamentarmos o sucedido, desatámos o saco das iniciativas. Em necessária reunião, todos nós achámos, convictos, que uma visita de estudo, no último dia, seria recompensa mais que merecida para o empenho demonstrado pelos alunos ao longo do ano. Sabíamos que, até à data da visita, já não haveria nenhuma reunião do Conselho Pedagógico, órgão que valida estas iniciativas, mas confiávamos que a Diretora, com o poder que lhe é conferido, teria em conta as vicissitudes por que passámos e autorizaria, com naturalidade, a visita. E, célere, desenha-se um itinerário: visitar o Zoo da Maia, com centenas de diferentes espécies animais, com passagem anterior, que considerámos motivante e inspiradora, pelo  rio Douro, onde iríamos observar o Porto a partir do cruzeiro das 5 pontes, a cargo da empresa Douro Azul. Fazem-se telefonemas, escrevem-se mails, em pouco tempo tudo fica concertado. Como a vida não é estática, em paralelo surge a questão da nossa presença no Dia Aberto do Agrupamento, entretanto marcado para o dia 16 de junho, entre um feriado e um fim de semana. Dado que já havia passado um tempo considerável desde a nossa atuação no evento "Poesia na Rua", havia que preparar os alunos para os ensaios necessários. E é então que surge a constatação: muitos pais, aproveitando o feriado, decidiram fazer ponte e levar a família em viagem. Como cada aluno, na peça, tinha um papel específico, seria quase impossível reformulá-la. Ainda chegámos a equacionar fazê-lo, mas esta foi semana de avaliações, e os alunos precisavam de todo o sossego. Para atrapalhar já bastava o calor que tem feito. Resultado: tivemos que comunicar para o Agrupamento que não havia condições para representar o "Na Rua da Minha Tia". Foi a segunda desilusão.
Entretanto, dispostos a levar a nossa avante em prol da visita de estudo, pedimos a necessária autorização à Diretora do Agrupamento. A resposta, contudo, foi taxativa: a visita não obedece aos normativos. Foi a terceira desilusão, em poucos dias. E se esta doeu! E a sensação mais se agudizou quando tivemos que informar os alunos que, afinal, já não havia visita. Só quem respira, diariamente, a vida que transborda numa sala de aula poderá compreender, na sua plenitude, a desilusão que se instalou neles.
Normas são normas, cada macaco no seu galho, e nós sabemos muito bem qual é o nosso. Mas que foi pena, lá isso foi!
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Nota: Neste momento, afastadas as convulsões, estão a trabalhar na nossa escola, como assistentes operacionais, os seguintes elementos:
Tânia: 2 horas no edifício Plano dos Centenários;
Maria de Jesus: 2 horas no edifício da ADCRAJ;
Teresa: 7 horas no edifício Plano dos Centenários; 
Cecília: 7 horas no edifício da ADCRAJ.
As coisas estão a funcionar bem, estamos contentes com elas. Refira-se, por ser de inteira justiça, o papel assumido pela Teresa na integração dos novos elementos.
Uma saudação especial para a Raquel, que também passou por aqui, mas que entretanto deu novo rumo à sua atividade profissional. É que um POC, da forma como é colocado em prática, em termos de contrato, nada garante para o futuro.
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sábado, 25 de março de 2017

BANHA DA COBRA

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É assim desde que o homem é homem. A coberto de boas intenções, e socorrendo-se dum discurso lustroso a piscar o olho às ilusões, o vendedor de banha da cobra, cada vez mais sofisticado, sabe sempre adaptar-se às mudanças do vento. Ele sabe que, vá para onde for, haverá sempre clientela pronta a ouvi-lo. A perceção do conteúdo, infelizmente, só virá depois, aquando do rescaldo dos estragos.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

JANEIRO

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Janeiro, mês, tradicionalmente, de duro trabalho nas escolas, com as novas matérias a assentar arraiais, requerendo concentração e empenho redobrados, está de partida. 
Não é uma meta, longe disso, é simples apeadeiro dum processo em permanente evolução, com as exigências em constante esgrimir. Janeiro, para lá das ideias feitas, é, quanto muito, um barómetro para aferir eficácias. Mas, seja qual for a conclusão, o caminho a seguir será sempre feito com trabalho, muito trabalho, do puro e do duro, temperado, preferencialmente, com equilibrada dose de afetos.
Não há luar como o de janeiro, nem amor como o primeiro, diz o rifão. Mas, para nós, com as preocupações condicionadas pela eficácia do nosso trabalho, não há mês tão propício à sementeira de novos saberes como o inspirado em Janus, o tal dos inícios, das decisões e das escolhas.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

POUCA TERRA

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Pintura de Barbara Issa Vagnerovà
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A aula decorre, paulatinamente, sem grandes alardes. Os alunos, concentrados na tarefa, esforçam-se por corresponder, embora meia dúzia, com algum défice nas tarefas onde a perseverança e o empenho são argumentos de peso, comecem a agitar-se na cadeira. O professor, atento, regista os sinais.
Recolhidos os trabalhos, um deles pede para falar. Conta que o pai vai para os Açores, em trabalho, onde estará alguns meses. O assunto parece interessar a turma e, palavra puxa palavra, todos começam a querer dizer qualquer coisa, com os olhos a aumentar, gradualmente, de brilho. Falam de cidades, de países que gostariam de conhecer e, com a facilidade só possível numa criança, começam a embarcar em aventuras espaciais. E, aí chegados, o empolgamento torna-se quase incontrolável.
Pouca-terra, pouca-terra, parecia gemer o comboio do passado. Agora eles (os alunos) argumentam, com toda a naturalidade, que a Terra é pouca. Um queijo é um queijo, um pão é um pão, mas nada se compara ao sonho e à imaginação.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

AGENDA DOS PRÓXIMOS DIAS

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Vivemos, nos modernos tempos, de forma tão intensa que poucos se dão conta do mais elementar: os discretos sinais da Natureza, fiel barómetro da vida que nos habita.
A Gardunha, pulmão, por excelência, da nossa região, começa a despedir-se, de forma cada vez mais acelerada, dos tons outonais, pinceladas merecedoras das mais nobres telas, anunciando um inverno que, segundo preconizam os especialistas, agitará, de forma veemente, o cartaz do tempo frio. Logo se verá.
Na escola, após a aplicação das fichas de avaliação, também as atividades tendem a um maior recolhimento, mais consentâneas com a linguagem interior, com particular realce para os preparativos adventícios. E, nesse campo, ainda por aqui há muito que labutar: a exposição das miniaturas de Árvores de Natal, em dois locais distintos (sede do Agrupamento e na ADCRAJ), os ensaios para a Festa de Natal e, no último dia, os desafios e a exuberância da própria festa, com um lanche a condizer.
Há quem tenha preferência por esta, ou por aquela, estação do ano, mas todas elas, se estivermos atentos, têm muito para nos dar. Assim as saibamos sentir, só assim a vida poderá mostrar a sua melhor face. Que venha, pois, o Natal.
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